Olá , estamos reunidos e interessados nas questões convergentes ao tema do tropicalismo com a estética de brasilidade, em que conectam-se os aspectos polêmicos da expressão singular do indivíduo, em conexão com seu passado histórico.
Nele os anti-heróis nacionais e seus sinônimos se bem como os "periféricos" cidadãos brasileiros nem sempre são os eleitos pela instituição e pela mídia como paradigmas a serem enaltecidos. São resgatados pelo Tropicalismo nas canções: Lindonéia e Amor Materno.
Como acreditamos serem possíveis as transformações, operacionalizamos enquanto revisitadores destas estéticas que romperam na década de sessenta com um estado de comportamento instituido por convenções e instituições, pretendemos e pensamos conjugar as rupturas praticadas pelos neoconcretistas que com suas obras definiram uma humanização e uma descoberta de expressividade além do suporte bidimensional que veio a dar na arte instalação e na body art, e dos tropicalistas que mesmo tendo sido um movimento rejeitado pela imprensa oficial vide os albuns infantis onde não são configurados os tropicalistas como ídolos da juventude e nem mesmo pela arte engajada daquele período.
Também neste processo sentimos necessidade de aprofundar nossa visão da cidade com as nossa memórias e primeiras passagens pela arte, aspectos bem lembrados quando Giberto Gil ao ser preso por porte de maconha em 1976 em Florianópolis disse que estava com a verdade ao seu lado discutindo a privacidade e as opções individuais,neste sentido discutimos a visão de um mundo e comportamento bastante peculiares e a organização do corpo cívico e corpo civil.
Vemos que tabus e convenções sociais permeiam a discussão da sociedade civil há muito tempo no Brasil, cita a música quatro cavaleiros do pós calipso remetendo a uma possível liberdade do sentido latinizante que outras culturas tentaram impingir ao país em épocas anteriores vide a representação que muitas vezes definem o Brasil como terra de samba e futebol.
Num discurso ao nosso ver atemporal onde Os Doces Bárbaros podem perfeitamente com sua estética ter feito este alerta para a questão do produto artístico conectado com uma expressão singular do indivíduo que mostra o lado espontâneo cheio de religiosidade, alegria, informação histórica popular, espontaneidade e revitaliza-a através de uma brasilidade que ocupa através do discurso cênico e do corpo integrado e sensual sem ser de uma libidinagem agressiva mas de uma transgressividade heróica naquelas plagas de então.
Na época estão se revelando ambiguidades contestadas e pouco difundidas pela mídia, e quem sabe até atualmente, por esta época nem Niemeyer, nem Serpa, nem Villa lobos estiveram sendo condenados por serem humanistas, comunistas ou progressistas mas artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil foram exilados pelo fato de exibirem em seu show um estandarte onde aparecia o bandido cara de cavalo pintado por Hélio Oiticica, foram vistos pela sociedade conservadora brasileira como ameaça à ordem ditatorial instituida àquela época.
Qual as lembranças que temos de nossos pais nos falando deles?
Em qualquer certame atual de arte de vanguarda este show pode ser exibido sem constranger e muito pelo contrário enaltecer-se de ser arte sofisticada, e bem embasada, evoluída sim da proposta tropicalista onde conjugava-se passado e presente passando por questões de religiosidade, política, resgate histórico, homenagem aos parceiros daquele movimento e um estranhamento com a ordem presente do momento político, talvez um único ponto de pouca ênfase tenha sido as questões da informação sobre a cultura de massa repassadas pela publicidade arquitetura e meios de comunicação, a qual a Tropicália enfatizou ao máximo.
É bem interessante revisar estes movimentos artísticos nacionais que não estão sendo isentos da contaminação natural da história da arte brasileira atual.
Há muita produção em que se demonstra a preocupação, em alguns aspectos de projetos atuais como o dos filmes sobre o Cangaço,e a pertinência que as fontes para a discussão de uma iconografia nacional representam.
O abrangente do povo brasileiro com sua saga e heroísmo como é também revelada em algumas canções de Chico Buarque de Hollanda onde o malandro e revisitado,pensamos no nordeste pelo sentido de ciclos econômicos não tão difundidos como o ciclo do couro, que fora de certa maneira ofuscado pelo ciclo do café e o urbanismo dos anos 20 e 30 do século XX.
Para a compreensão da diversidade e de resgate de identidade tão profícua e necessária atualmente nos fazemos debatedores deste mote temático com muito prazer e dedicação.
Neste momento da construção do espetáculo Inspiração a dois estamos imersos em pesquisas temáticas diversas onde diariamente através de escritos, estudos teóricos, discussões, performances e exercícios coreográficos definimos prioridades de percursos a serem norteadores de possibilidades de performances coreográficas, manifestos corporais, dança contemporânea numa linguagem híbrida e multifacetada onde buscamos uma comunicação e uma posibilidade de mostrar um aspecto menos explorado dentro da dança contemporânea brasileira.
A imersão para uma possível revelação deste corpo universal e único quando embevecido pela vontade de expor uma semiótica ímpar que abranja e rompa com paradigmas disseminados e referenciados pela cultura de massa e que explore muitas semânticas para fazer uma dança contemporânea de vanguarda.
Este corpo inspirado pelo corpo brasileiro de artistas da música e das artes plásticas que contaram do povo suas transgressões e as intransponíveis segmentações sociais, elevelando-os dando um foco de individualidade e de majestade além do folclorismo.
Atualmente assistimos e discutimos artistas braileiros que se voltaram para o resgate da memória brasileira através de:documentários e filmes sobre Carmen Miranda, Villa Lobos,e o Cangaço no Brasil além de assistirmos alguns DVDs com registros contendo entrevistas e apresentações curitibanas de dança ,teatro e também curtas metragens curitibanos.