
Em nossos projetos artísticos fazemos a confluência
de linguagens artísticas diversas, contextualizando
tema e linguagem apropriada durante o processo de criação.
A escuta ao corpo se faz pela vontade de expressão
e não passivamente pela alocação formal
do movimento bem coordenado. Sim podemos fazer uma preparação
corporal com exercícios de consciência muscular
e óssea levando em consideração prícípios
organizados por Klaus Vianna ou mesmo princípios da
técnica de dança moderna pela necessidade da
criação, se esta se desenvolver pelo paradigma
de deslocamentos no espaço. Inclusive a técnica
de dança moderna foi no ano de 2000 conjunto à
exercícios de consciência de peso no solo as
bases técnicas do espetáculo Câmbio, já
na performance coreográfica Projeto 3 cada um fazia
seu próprio aquecimento. Atualmente particularmente
como trabalho corporal cada dançarino faz diversas
preparações corporais que vão de balé
clássico à yoga. A base técnica de cada
projeto deve ser especificamente elaborada e pensada para
afinizar os corpos numa eficiente maneira de torná-los
aptos à ação e a expressão da
deteminada obra.
Subsídios teóricos vem sendo empregados como
dispositivos para o desencadeamento da criatividade: textos,
imagens, manifestos, poemas, letras de canções,
memórias de sensações de laboratórios
dramáticos, a música. A reunião destes
aparelhos são organizados temporalmente e desencadeam
uma forma semiótica eficaz para a expressão
da dança, aqui entendida tanto como a gestualidade
durante a performance coreográfica como nos deslocamentos
mais técnicos das coreografias pré-definidas.
Cabe ressaltar que o improviso como manifestação
estética em si com regras definidas a que atualmente
se nomeia como criação instantânea não
foi anteriormente explorado, foi sim como agente de movimento
pela necessidade de um personagem construído se manifestar
fisicamente ou se fez presente em um momento dramático
previamente definido.
Nos trabalhos como solista concentrou-se uma vontade de
interação, nos três útimos trabalhos
sirva-arte, Nêga Maluca e Sou e Não sou um Pão,
o performer Julio Silveira causou a interação
cênica da platéia executando ações
dramáticas pertinentes ao roteiro que foram elaborados
previamente, no Sirva-arte havia um jogo entre doze participantes
que se sentavam no chão da cozinha da Casa Hoffmann
em Curitiba, Já em Nêga Maluca realizado durante
os eventos especiais do festival de teatro de Curitiba em
2005 em um determinado momento ofereciam-se fitas para se
decorar os cabelos de alguém que se prontificasse a
estar no centro do palco sentado em uma cadeira, em Sou e
Não Sou um Pão, performance coreográfica
realizada na UNICAMP em 2005, três pessoas em momentos
diferentes interagem a partir de convite do performer para
sentir pelo olfato vasilhas contendo azeite, margarina e manteiga
e depois derramarem sobre o corpo do performer estas gorduras.
Partimos do pressuposto de que a permanência das equipes
se fazem por afinidades de confiança e respeito.
As expressões valorizadas sobre a concepção
original do tema e a lógica dos espetáculos
construídos demonstram a capacidade de emocionar e
fazer uma reflexão sobre os aspectos múltiplos
da vida do sujeito brasileiro.
Impregnando de experiências e tratando de temas diversos
partindo deste a mitologia grega(Singrando), passando por
condições de construção do lar(Rodas
Aspirações), o movimento modernista brasileiro
introduzido num roteiro sobre vingança e traição(Câmbio),
as relações Sociais e suas fronteiras na comunicação
cotidiana( Sou e Não Sou um Pão), Identidade
sexual e categoria profissional com suas ambivalências(
Projeto 3), perspectivas de temas em que à partir do
trabalho de colaboração de equipe serviram para
um aprofundamento da capacidade de explorar e expor as reflexões.
As lembranças e os afetos são condições
que vemos pertinentes a serem abordadas no mundo contemporâneo
de maneira a transgredir e dissolver locais de constrangimento
e insensibilidade. Temos como fator primaz a motivação
a tornar-se discurso. Nosso empenho e a revelação
dos corpos, das idéias e das emoções
para que nossa voz e nosso gesto de prazer torne vivo alguma
metáfora, alguma ação, alguma reação
e porque não dizer toda a experiência sensível
da poética oferecida ao expectador participante da
obra artística.
A condição das oportunidades de se produzir
a dança cênica teatral se fizeram por iniciativas
das instituições brasileiras que fomentam a
produção artística, no caso da nossa
companhia: o Sesc Centro Curitiba, durante os Festivais de
dança contemporânea 1992 e 1993( Rodas Aspirações,
Singrando), UCLA 1993 ( Fidelidade),
Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba 2000
(Câmbio - patrocinado por Siemens e Sigma Data Serv.),
2006 (Inspiração à Dois),
Conexão Sul - UDESC UFSC 2003 ( bom Dia !?),
Casa Hoffmann- Curitiba 2004 e 2005 ( Projeto 3, Nêga
Maluca, Sirva-Arte)
UNICAMP 2005 (Sou e Não Sou um Pão, Nada Igual).
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