Sou e não
sou um pão - artigo e pesquisa |




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O espaço
como a chance de realizar alguma comunicação pelo
manifesto.
1- Contingência:
Uma parte deste trabalho teórico é referenciado na
performance Sou e não sou um pão, apresentada na galeria
de Arte da Unicamp no dia 29 de setembro de 2005 para a disciplina
Laboratório de Arte e Mediação sob a coordenação
dos professores Ernesto Boccara e Haroldo Gallo, os quais propuseram
um trabalho prático a todos os alunos ao qual lançaram
como tema o cubo.
Participaram deste grupo o coreógrafo Julio Silveira, o artistas
plástico Fernando ambos executando a performance enquanto
o artista plástico Renato Stegun exibiu um filme de animação.
Outro enfoque dado a este trabalho teórico é a contextualização
do curso a partir da bibliografia estudada neste período
e as impressões que as performances dos colegas de turma
despertaram.
A tentadora chance de explorar o espaço quando em cena ,ou
na cidade em que moro, na família a qual “pertenço”,
no restaurante em que almoço, são manifestadas através
das opções e destas convergem no ser, à ser
distintivo na diversidade. Se bem espelhada a condição
humana na obra artística, na obra estará representada
a participação do artista: em grupos, mini grupos
e na massa.
2- Motivação da Performance:
A Tentativa do encontro como motivação inicial, esta
surgida de uma inquietação que sentia quando ia comprar
pães e me via não tratado como pessoa mas apenas como
um consumidor, mesmo sendo freqüente a ida ao referido estabelecimento
comercial.
Por qual caminho prosseguir? Como realizar uma conquista que permita
transpor a contingência expondo tais dificuldades sem o tom
moralista ou profético? Como ter conseqüência
a possibilidade de vir a ser imanente uma condição
deshierarquisada nas relações humanas? Assim fazendo
com que a arte reflita e aponte as dificuldades e as potenciais
transformações possíveis tanto através
de forma negativa como positiva a nossa condição humana.
Estaria nesta afirmação a função da
arte? Para além do entretenimento cultural são necessárias
direções conseqüentes e eficazes de realizações
artísticas com um conteúdo pertinente ao nosso tempo
sem manter os valores que uma tradição colonialista
apontou como uma arte erudita e outra popular pois em se tratando
de contemporaneidade estes conceitos se tornam ambivalentes uma
vez que rompem-se com velhos paradigmas de seleção
e ideologias tratadas como leis e poéticas acadêmicas.
Na performance optou-se em se permitir e deixar acontecer alguns
contatos espontâneos com a platéia reproduzindo as
relações como quando estando no contato público,
pois assim como no espaço da cidade existem muitos sujeitos
que se mantém solidários quando a comunicação
se faz por necessidade. Neste parâmetro temos na performance
como questões pertinentes os temas: da vergonha, da timidez
e da opressão.
Quase numa direção construtiva na preparação
dos objetos e seqüências mas deixando o mapa da situação
se fazer por uma atenção ao desejo que move o fazer
artístico. O caminho se construindo no percurso, apresentamos
a obra como negatividade pela crítica que se faz ao isolamento
social.
Outras premissas desta definição de projeto foi como
estabelecer relações em grupo, e quais tipos de relação
não seriam assumidas, a troca cordial de impressões
relativa ao processo individual, e pelo fato de ainda não
estarmos aptos a uma experimentação coletiva devido
ao fato de pouca convivência optamos por uma espécie
de colagem de três trabalhos individuais recorrentes à
um mesmo tema.
Disto partimos do princípio de que cada indivíduo
construiria sua mensagem através da linguagem artística
escolhida para a performance.
Houveram divergências deste contexto de livre comunicação,
expressão e afetividade, sendo assim alguns indivíduos
que mantiveram certo contato com o projeto inicialmente, o abandonaram
durante a realização e efetivação do
projeto da performance. Tal decorrência pode pressupor o fato
de não assumirem as regras de convivência ou talvez
de não serem guiados por uma inquietação genuína
alicerçando uma motivação para a elaboração
da obra.
O foco da relação colaborativa teve coragem de estabelecer
regras bastante claras, um projeto que envolvesse discursos e linguagens
pessoais e convergindo numa ação performática
tratando do tema cubo e as representações pessoais
deste lugar, se revelando as ações bastante solidárias
até a consecução do projeto.
O revolucionário que se impede de ferir no processo e se
submete ao apaziguamento em função participativa foi
neste projeto protagonista de uma ideologia de colaboração
solidária.
3- A Performance:
O espaço da performance faz a construção da
identidade coletiva, na revelação das identidades
individuais,numa perspectiva da filosofia da linguagem como aponta
o filósofo Derrida : “tudo que dizemos tem um antes
e um depois-uma margem na qual outras pessoas podem escrever.O significado
é inerentemente instável: ele procura o fechamento
( a identidade), mas ele é constantemente perturbado ( pela
diferença) Ele está sempre escapulindo de nós.
Existem sempre significados suplementares sobre os quais não
temos qualquer controle, que surgirão e subverterão
nossas tentativas para criar mundos fixos e estáveis”.O
espaço é a revelação do tempo, revela
as conquistas da cultura.
A platéia se faz cúmplice em que medida nas apresentações
artísticas?
A revelação da memória do performer se faz
guia para a comunicação em determinadas escolhas de
encenação e surge disto um paradoxo pois incluiria
um dado da tradição onde as regras da recepção
se fazem de maneira passiva.
A revelação da memória em uma ficção
com um recorte social, pode definir um jeito de montar uma cena;
na profusão de imagens sequenciadas onde estará imbuído
o performer de referendar com uma postura cênica pré
definida como personagem, onde a meta pessoal de revelação
de crença moral ou de ideologia estabelecendo uma projeção
baseadas em aparatos cênicos ou de linguagem, se diferenciando
da arte performática. Existem ainda diversos procedimentos,os
quais se utilizam de aparelhos eletrônicos arquitetando durante
o processo de recepção um distanciamento.
Não assumimos tais posturas cênicas pois optamos por
uma postura mais performática dando ao tempo sua funcionalidade
construtiva de expressão e manifestação em
tempo presente atualizando-se as relações humanas
pelo filtro da circunstância.
4- O Curso:
A disciplina tem desenvolvido o tema do espaço como protagonista
da criação artística, tema enfocado através
das aulas expositivas dos professores responsáveis e de professores
convidados que trataram temas referentes as suas respectivas pesquisas
acadêmicas.
O curso teve como método a discussão coletiva e a
proposição de trabalhos práticos a grupos de
alunos que montaram diversas obras com o tema do cubo.
A fenomenologia tem como princípios: a observação
e análise para o posterior postulamento de formas e propriedades
universais destes fenômenos. Nascendo daí categorias
universais a qualquer experiência e pensamento, não
imbuída de julgamento avaliativo. Sinaliza classes de características,
as mais universais presentes às experiências.
Vários palestrantes discorreram sobre suas pesquisas e os
professores responsáveis pela disciplina também abordaram
num primeiro momento muitas idéias relacionadas ao espaço
na arquitetura, na sua história construtivista e na racionalidade
e funcionalidade da época do modernismo europeu. È
interessante que contiguamente a este período racionalista
ocorriam: o cubismo e o dadaísmo movimentos que propuseram
e pensaram em rupturas a este condicionante de formalização
pois viam já na reprodução técnica e
na cadeia produtiva a alienação do homem.
No curso enfatizaram o hibridismo como uma possibilidade para a
integração das linguagens como sendo o grande mito
de superação de fronteiras naturais das especificidades.
O caráter experimental do laboratório como potencialidade
expressiva interdisciplinar e da metodologia de afinidades das temáticas
nas pesquisas individuais para trabalhos em grupos no entanto demonstraram
ainda pouco aprofundamento nesta direção de hibridismo
pois muitos grupos tenderam a trabalhos bastante coeso em termos
de temática e linguagem específica.
. Foram apresentadas considerações referentes ao modernismo
onde existiu o grande mito da arte total, por exemplo nas pesquisas
da Bauhaus.
Na época da reprodutibilidade técnica onde o indivíduo
convive com diversos níveis de produção e reprodução
a existência de um espaço de pesquisa se torna fundamental
para a aquisição de conhecimentos a partir das relações
de troca pois muito da produção em arte é feita
sobre demandas de uma cadeia produtiva que supre as tendências
do mercado cultural.
A denotação que encontramos na mensagem da fotografia
exerce um parâmetro bastante adequado pois considera o olhar
do receptor como culturalmente condicionado neste sentido a menção
de uma arte tão conotativa da imagem objetiva já carrega
este nível de contextualidade histórica. As artes
cênicas e plásticas também pó serem culturalmente
estabelecidas na sua maioria por correntes políticos e econômicos
carregam uma denotação histórica bastante plausível
de questionamento, o gosto seria um condicionamento cultural?
O papel da liberação da imaginação na
construção do espaço cênico em termos
de rompimento de estruturas repressivas, nos teóricos da
semiótica que vêem a construção da cultura
embasada pelos signos, os diversos enfoques da tecnologia que apontam
para um arquitetura mais voltada ao envolvimento orgânico
e da convivência, a biografia e os conceitos fundamentais
da psicologia analítica de Carl Gustav Yung derão
uma nova perspectiva para o entendimento de diversos estudos que
são configurados nesta perspectiva de humanização
da arte e das relações humanas e rompimento de fronteiras
da mera racionalidade funcional.
A bibliografia apresentada serviu também para a configuração
de um estudo bastante interessante de representações
espaciais em diversos níveis desde a arquitetura e seu histórico,
a tipologia, o espaço urbano e suas diversas dimensões
existenciais convergidas pelo espaço diferenciando, a espacialidade
cheia e a vazia que serve para o fechamento do laboratório
onde Santiago Barbuy estrutura seis diferençiações
possíveis para o entendimento do espaço no plano de
correlação.O texto de Barbuy aponta o espaço
na dimensão sociológica e da ação humana,
e diz” Na cidade atual não há uma consciência
de forma de vida; a cidade, o espaço da cidade é ocupado
e preenchido com o produto de uma atividade que carece das condições
mínimas necessárias para que se possa falar de uma
consciência comunitária aonde a singularidade, a criatividade
e a vida anímica possam expandir-se livremente” .
5- As Impressões:
O recorte que durante o curso me interessou bastante através
da indicação bibliográfica foi o da cultura
de massa e indústria cultural, destes estudos apresento algumas
considerações.A televisão teve início
no Brasil em 1950, o primeiro filme colorido nacional brasileiro
em registro não oficial é de 1948 Silêncio no
Alto Xingu realizado pelo jornalista Manoel Rodrigues Ferreira o
qual revela o espírito e a convivência solidária
do cotidiano dos índios brasileiros e segundo o cineasta
eles não se incomodavam com a filmagem pois não era
revelado a eles a função da máquina de reproduzir
imagens, Benhur um filme épico conquistou 11 oscars em 1953,
alguns dados que me permitem ter parâmetros de como a construção
do espaço simbólico deve ter se segmentado pelas várias
influências que o espaço enquanto revelador da cultura
e sua construção simbólica foi durante as gerações
sendo revelada ou não pela indústria cultural aos
diversos segmentos da sociedade brasileira.
Este espaço de reflexão representado pela universidade
cabe para configurar e revelar o espírito da criatividade
das diferentes personalidades envolvidas na construção
de “variedades”artísticas de construções
simbólicas,as quais reproduzirão em diversos níveis
da cultura motivação espiritual.
O primeiro texto que tive vontade de estudar foi o texto O Que é
Indústria Cultural do crítico de arte Teixeira Coelho,no
qual discute que a noção de indústria cultural.Tem
relação direta com a cultura de massa e que esta teria
surgido na segunda metade do século XIX com o surgimento
dos jornais na Europa, que junto com a opereta o teatro de revista
e o cartaz faziam parte de um sistema cultural.
Está deflagrada a produção cultural como alienante,
onde o consumidor não tem crítica nem tempo de questionar
o conhecimento exposto se e quando exposto. Diz tratar-se de uma
cultura perecível como uma peça de roupa.O texto trata
ainda de uma divisão apresentada por Dwight Mac Donald que
faz um esquema dividindo a cultura em três níveis :superior
(aprovados pela crítica especializada), mediana( apreciada
como entretenimento popular e as que exploram e reproduzem as obras
da cultura superior ) e de massa(aquela difundida pelos meios de
comunicação de massa, a moda os costumes alimentares
e a gestualidade, a literatura e o grande teatro).
Deste primeiro enfoque tomado partimos para as relações
que podemos adotar de rompimento com a estrutura de segmentações,
entendendo que conforme formulou Bachelard que “A verdade
é filha da discussão, não da simpatia”,
defendeu uma noção de racionalismo setorial e aberto.
Outro ponto à ser levantado é o descontínuo
do espaço onde só percebemos o objeto quando existe
o vazio. A cidade é uma espécie de cubo, perdeu-se
a visualidade de horizonte. O conceito de transgressão indica
a noção de ver de fora.
Em se tratando de perceber o espaço construído nesta
trajetória de curso fica a diversificação de
opções de abordar temas como o denotativo do espaço
do corpo físico, da ritualização e do gesto
significativo e arquetípico, a improvisação
com regras pré dirigidas, a revelação dramática
da condição da procura pelo parceiro erótico,
a materialização do cubo em formas numa geografia
plana, o registro da ação de observador ao ser deflagrado
o ato de observar, o contexto de ritualização do dramático,o
círculo ritualístico dos símbolos revelados
como ícones pessoais.
Há neste processo os sentimentos de entusiasmo de solidariedade
de respeito que aprendi a valorizar e à uma recepção
que é desvinculada de juízos estéticos pré
condicionados mas de uma recepção mediada pelo questionamento
e pela trajetória de contato humano.
As opções foram tantas quantas as noções
de espaço cênico exibidas durante as performances.
dos alunos. Tantas foram as situações de se elaborar
o espaço como espaço possível da ação
cênica como os conceitos de espaço discutidas pelos
autores sugeridos na bibliografia e discutida no curso.
Fica como possibilidade de projeção pelo próprio
espaço acadêmico tentar configurar onde tal produção
pode ser apresentada pois o laboratório serve como revisão
e elaboração de conjuntos de ações a
serem assumidas durante projetos e ações artísticas.
Como filosofia de trabalho na criação artística
penso que esta não pode residir no oportunismo comercial
mas na celebração da comunicação sensível
de conteúdos diversos. Em termos de linguagem acredito na
fusão de linguagens aparelhados em reflexões e convergências
de dados coletados e discutidos durante o período de elaboração
da criação, pressupondo-se a assimilação
de muitos dados, dentre os quais muitos servem para o discurso artístico:
ou gestual ou da fala durante a performance ou pós-performance
em confronto direto com meios de recepção de idéias.
Um projeto em tornando-se obra artística produto de reflexão
e criatividade deve ser transgressora do sentido.O sentido surge
então revisado e desconstruído aqui é entendido
como o negativo, como a crítica de estruturas fáceis
e tradicionais. A recepção se valerá de percursos
próprios não conotativos , as denotações
serão dados pela contingência e elaboração
pessoal da recepção.
Bibliografia:
Lima, Luiz Costa Lima. Teoria da Cultura de Massa- Rio de Janeiro:
Editora Paz e Terra,1982.
Coelho, Teixeira. O que é Indústria Cultural- São
Paulo: Editora Brasiliense, 1980.
Santaella,Lúcia. O que é Semi[ótica? São
Paulo:editora Brasiliense,1980.
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