
Release continuação:
Conhecer o Brasil e sua história cultural recente
significa estabelecer uma pertinente investigação.
Conhecer nosso território pessoal através de
lembranças e observações cotidianas e
depois lançarmo-nos num território contíguo
fazendo um gostoso caldo de cultura brasileira alegre sofisticada
e intensa nosso propósito. Não somos simples
em pretensões, compreendemos a complexidade como a
via de pesquisa em dança, porém amenos em nosso
propósito de comunicar de um jeito que se consiga modificar
e estar mais próximo do espectador. Produzir uma arte
que transgrida os cânones, mas contudo, sem perder-se
o esforço da produção da obra de arte,
temos em conta que o público precisa transformar-se
depois de experenciar a ida ao teatro de uma maneira bem íntima
, se este é o nosso objetivo dizemos sim.
Dizemos não ao não consigo, precisamos tentar
e mostrar novas alamedas aos povos que formam nosso povo,
pois estas revelações podem transmitir um pouco
de conforto e estranhamento pois tudo o que é tentativa
de revelação corre o risco de não ser
bem interpretado, correr risco é o nosso ofício.
O estruturamento de um pensamento coreográfico conectando
inventários pessoais e correspondências subjetivas
com a tropicália, o neoconcretismo e as produções
artísticas brasileiras na música, na literatura,
nas artes plásticas, na fotografia, na religião,
na culinária, na arquitetura, no urbanismo, na logística
cultural, transformando em som interior, escuta ,sensação,
emoção e mantendo conexão interpessoal
durante o processo criativo. Como pesquisa em dança
fazemos um cruzamento de estrutura coreográfica contemporânea
com dança-teatro e performance.
Estamos apoiando nossos estudos em escritos de: Caetano Veloso-
Verdade Tropical, Maria Isaura Pereira Queiroz- História
do cangaço,Guilherme Wisnik-Caetano Veloso,Ferreira
Gullar- Manifesto Neoconcretista ,Severino Cristóvão
-Cordel “Biografia de Lampião”;em cds de
compositores brasileiros:Tropicália ou Panis et Circensis-1968,Clementina
de Jesus,Cartola, Tom Zé, Gilberto Gil, Luís
Otávio de Almeida, Nara Leão, Caetano Veloso,
Carmen Miranda,Moacir Santos, Roberto Menescal, Seu Jorge;
em vídeos nacionais listados por nome e diretores:
como O Cangaceiro de Lima Barreto, Banana is my Business de
Helena Solberg e David Meyer,Villa Lobos de Zelito Viana,
Os Doces Bárbaros de Jom Tob Azulay, O Dragão
da Maldade contra o Santo Justiceiro de Glauber Rocha, Corisco
e Dadá de Rosemberg Cariry, Nós Que Aqui Estamos
Por Vos Esperar de Marcelo Marzagão , O Povo Brasileiro
( da obra prima de Darcy Ribeiro) de Isa Grinspum Ferraz .
Parafraseando Paulo Leminski- que a revelação
da experiência em arte é eficiente e regeneradora
do tecido social bordado das alegrias e tristezas , das contradições
e das questões entre as diferenças que formam
a nossa contemporaneidade brasileira.
Como o fio de Teseu que para conseguir vencer o devorador
de gente se incumbe de salvar seus semelhantes, nos incumbimos
de preservar acesa uma perspectiva de criatividade enquanto
estética construtivista e exploradora de linguagem
de dança e performance. O tempo é apropriado
pelo intérprete que revela associações
e aproximações filosóficas. O tema do
abraço e da procura é um tema que recorremos
numa estrutura coreográfica cênica intitulada
cama mesa banho. A memória e o estranhamento são
os temas de uma outra estrutura que a partir da observação
de percursos urbanos estabelecemos como norteadores de uma
coreografia e partitura cênica cruzando com informações
cotidianas de jornal e filmagem do local na cidade de Curitiba.
Há ainda uma estrutura em que escrevemos e coletamos
objetos que remetem ao nosso primeiro contato com a arte ainda
na infância e nossas memórias do tempo de estudantes
do primário.
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